sexta-feira, 2 de julho de 2010

Texto: 1,2,3...testando







por Fábio Gomes Paulino

Aristóteles, o filósofo, propôs a existência de cinco sentidos na composição da estrutura sensorial humana, que hoje, é bem conhecida por todos nós: Audição, olfato, paladar, visão e tato.

Cada sentido nos proporciona a um relacionamento com o ambiente criando uma interação com o meio e com os outros seres. Cada sentido está localizado em uma região específica do nosso corpo e está equipado com receptores especializados para a captação dos diversos estímulos que recebemos.

A audição se vale do instrumento da orelha e está orientado para captar os diversos sons e ondas do meio ambiente, assim como o olfato é representado pelas narinas, o paladar pela língua e a visão pelos olhos, ou seja, cada qual com sua característica e posição específica em nosso corpo. Porém é no tato, que embora sempre representando pelas mãos, cabe uma reflexão.

Especificamente neste sentido não há uma área específica para apontarmos com representante do tato: todo nosso corpo é tato. Em todo o corpo humano há mecanorreceptores, subdividos entre si, capazes de perceber os diversos estímulos a serem captados pelo tato, como pressão, frio, calor, distensões.

Assim como nos outros sentidos, para captarmos estímulo temos que entrar em contato com ele, seja ao mirarmos um foco, ouvirmos uma melodia, experimentarmos uma comida ou sentirmos uma fragrância. Para o tato claramente temos que “entrar” em contato, tocar na superfície alheia e deixar que ela nos toque também. No ambiente, para sentirmos frio, nossa pele tem que estar exposta para a umidade nos tocar.

Contato é uma condição “sine qua non” para dançarmos, e dançarmos bem. Tocar o parceiro e se sentir tocado é como o primeiro passo para uma correspondência que deve existir na dança. Embora alguns estilos de dança estejam orientados pelo contato nas pernas, pélvis, peito, todas as danças convergem para que o contato básico, inicial e necessário seja pelas mãos, braços e costas. Estas três regiões são as primeiras a darem e receberem os estímulos que o tato se valerá para interpretar a dança e convergir em emoção e sentimento. O leve toque nas mãos quando do convite para a dança, o abraço, não forte, mas presente, que envolve a dama sem prendê-la em seu espaço, a pressão que as costas fazem num sentido de reação ao toque da palma da mão, os braços que repousam um sobre o outro criando como uma ponte ligando dois corpos.

No meio tecnológico, quando um determinado equipamento perde o sinal ou perde o contato, seu funcionamento altera-se rapidamente. Na dança, quando o sinal emitido pelos parceiros cai ou encontra uma freqüência divergente, imediatamente percebemos que não só as pernas começam a trançar e os pés pisarem um ao outro, a magia e o sorriso se perdem, dando lugar ao incômodo.

O melhor caminho é como nas máquinas: restabelecer contato, porém com o que elas não podem fazer: compartilhar o sentimento e sentir o toque, desenvolver o tato, marcar a presença, sentir a pressão e demonstrar, porque não, a “pegada”.

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BH Dança de Salão.com.br - muito sobre a dança de salão de Belo Horizonte
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2 comentários:

Cia de Dança Elaine Nunes disse...

O texto está muito bem escrito e explicativo. PArabéns pela matéria , que é de suma importância para nós que trabalhamos com dança e para os que estão aprendeno agora.

Unknown disse...

Bonito texto !!!